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Implante ou DIEP: comparar as opções de reconstrução mamária

18/05
6 min de leitura

Antes de uma mastectomia, pode ser útil comparar a reconstrução com implante e a reconstrução com tecido do próprio corpo, como o retalho DIEP.

A decisão vai além de uma questão prática. Envolve como deseja se sentir com o seu corpo, o que é possível na sua vida agora e como prefere seguir após o tratamento.

O objetivo deste artigo é explicar as diferenças com calma. As duas opções podem ser valiosas. Conhecê-las ajuda a chegar à consulta preparada para conversar sobre o que importa para si.

Por que a escolha é tão pessoal

A reconstrução faz parte do cuidado físico e emocional após o cancro. Para muitas mulheres, ela ajuda a recuperar conforto com o corpo. Cada pessoa dá um significado diferente a esse processo.

O implante é um dispositivo colocado no corpo e pode precisar de manutenção ou troca ao longo dos anos. O DIEP usa pele e gordura do abdómen, que passam a viver na mama e acompanham mudanças do seu corpo. Essas diferenças influenciam a experiência a longo prazo.

Não há uma opção melhor em termos absolutos. O importante é escolher a que combina com o seu caso e as suas preferências.

Como são as cirurgias e o cuidado a longo prazo

1. Reconstrução com implante mamário

É uma operação mais curta e menos extensa. O cirurgião prepara um espaço perto do músculo peitoral e coloca o implante. Às vezes se usa primeiro um expansor temporário, preenchido durante semanas para preparar a pele, e só depois o implante definitivo.

Possíveis vantagens:

  • Cirurgia mais curta.

  • Sem retirada de tecido de outra região, evitando cicatrizes adicionais no abdómen, nas costas ou nos glúteos.

  • Recuperação inicial mais rápida: muitas mulheres têm alta num ou dois dias e retomam atividades leves em algumas semanas.

  • Volume e forma podem ser planeados com antecedência, embora o resultado individual varie.

O que considerar:

  • O implante não é um dispositivo para toda a vida. Novas cirurgias podem ser necessárias.

  • A radioterapia aumenta os riscos de problemas, como endurecimento da cápsula de cicatriz em redor.

  • A aparência pode agradar, mas a consistência e os movimentos diferem dos tecidos naturais.

2. Reconstrução com retalho DIEP

Pele e gordura da parte inferior do abdómen formam a nova mama, preservando os músculos abdominais. Com microscópio, o cirurgião conecta os pequenos vasos do tecido aos vasos do tórax para restabelecer sua circulação.

Possíveis vantagens:

  • Aspeto e consistência naturais, por usar tecido do próprio corpo.

  • A mama acompanha mudanças de peso e envelhecimento.

  • Não há implante para trocar, embora possam ser necessários ajustes cirúrgicos.

  • Tecido próprio costuma lidar melhor com os efeitos da radioterapia do que a reconstrução com implante.

O que considerar:

  • Operação longa e complexa, com duas regiões operadas: mama e abdómen.

  • Recuperação mais exigente, internamento de quatro a sete dias e recuperação completa ao longo de meses.

  • É preciso ter tecido abdominal suficiente; em pessoas muito magras, a técnica pode não ser possível.

Como a recuperação se compara

Para muitas mulheres, o tempo e a intensidade da recuperação pesam bastante na decisão.

Com implante, é comum sentir pressão e aperto na primeira semana, com melhora relativamente rápida. Muitas atividades leves podem voltar por volta de três semanas.

Com DIEP, o início exige mais cuidados. Pode caminhar um pouco curvada para proteger o abdómen e dormir de barriga para cima. Muitas mulheres levam seis a oito semanas para se sentir mais recuperadas, embora esforços intensos esperem mais. O implante costuma exigir menos recuperação inicial, mas eventuais cirurgias futuras criam novos períodos de recuperação.

Como pode ser a sensação depois de alguns anos

Além das fotos, vale conversar sobre o dia a dia:

  • Consistência: implantes modernos são macios, mas podem continuar percetíveis como dispositivo. O DIEP costuma se integrar e parecer mais com tecido próprio.

  • Temperatura: a mama com implante pode parecer mais fria no frio ou na piscina. O retalho tem circulação própria.

  • Sensibilidade da pele: pode diminuir nas duas técnicas. Com DIEP, alguma sensação pode voltar lentamente, mas isso não é garantido.

Implantes e possíveis cirurgias no futuro

Implantes podem oferecer bons resultados, mas não devem ser vistos como definitivos para toda a vida. Os principais problemas a longo prazo incluem:

  • Contratura capsular: a cápsula de cicatriz pode endurecer, apertar o implante, alterar a forma e causar dor. O texto de referência cita algum grau dessa alteração em 15% a 25% das reconstruções após oito a dez anos. O risco varia e é maior após radioterapia.

  • Ruptura ou vazamento: a camada externa pode romper. No silicone, o gel pode ficar dentro da cápsula e a ruptura ser percebida apenas em ecografia ou ressonância. Com soro, a mama pode esvaziar.

  • Deslocamento ou rotação: o implante muda de posição e altera o contorno.

  • Ondulações: bordas ou dobras podem aparecer ou ser sentidas, especialmente em pessoas magras.

  • Calcificações: depósitos de cálcio na cápsula podem exigir esclarecimento em exames de imagem.

  • Sintomas sistémicos atribuídos aos implantes, frequentemente chamados BII: algumas mulheres relatam cansaço, dor nas articulações ou dificuldade de concentração. O termo não corresponde a um diagnóstico único com critérios estabelecidos; os sintomas merecem avaliação e investigação.

  • BIA-ALCL: um linfoma raro associado principalmente a implantes texturizados. O risco absoluto é baixo, mas varia conforme o produto. Certos modelos foram recolhidos.

Conhecer os riscos ajuda a planear, sem invalidar a escolha pelo implante. Muitas mulheres ficam satisfeitas por anos. Antes da primeira cirurgia, é importante entender que pode haver necessidade de outros procedimentos ao longo da vida.

Para consultar informações atualizadas sobre segurança e alertas de produtos, procure órgãos oficiais. Nos Países Baixos, há IGJ e RIVM; na Bélgica, FAGG/FAMHP; e nos Estados Unidos, FDA. Essas referências não confirmam a situação de um modelo em Portugal. Consulte as fontes oficiais no final e pergunte à equipa sobre o implante proposto para si.

Com DIEP, é menor a necessidade de trocar um dispositivo, pois ele não existe. Ainda podem ser feitos procedimentos como reconstrução do mamilo, transferência de gordura e simetrização. O tecido reconstruído também pode precisar de avaliação ou correção, conforme o caso.

A escolha deve fazer sentido para si

Tanto implante quanto tecido próprio podem trazer satisfação. O resultado depende da indicação, das suas expectativas e da evolução do tratamento.

Considere o seu corpo, sua rotina e o que é importante para si. Leve dúvidas à consulta e peça tempo para entender as opções. A decisão deve ser partilhada com a equipa e respeitar as suas preferências.

Dúvidas frequentes

Qual é a principal diferença entre implante e DIEP?

O implante é um dispositivo de silicone ou preenchido com soro, colocado à frente ou sob o músculo. O DIEP usa pele e gordura do abdómen, transferidas com microcirurgia. O implante exige cirurgia mais curta e recuperação inicial menor. O DIEP forma tecido vivo na mama e não exige troca de implante.

Qual opção costuma parecer mais natural?

A longo prazo, muitas mulheres relatam sensação mais natural com DIEP, pela maciez, temperatura e movimento do tecido. Implantes modernos podem ser macios, mas podem continuar diferentes, principalmente nos movimentos e na temperatura.

Quanto tempo dura um implante mamário?

A duração varia. Algumas mulheres passam décadas sem problemas, enquanto outras precisam de revisão antes de dez anos por contratura, ruptura ou mudança de forma. O acompanhamento com o cirurgião é importante.

Quais são as principais complicações dos implantes?

Incluem contratura capsular, ruptura, deslocamento, ondulações e calcificações. O original cita contratura em 15% a 25% após oito a dez anos, mas isso não prevê seu risco. Também merecem atenção sintomas sistémicos relatados como BII e o raro BIA-ALCL, mais associado a superfícies texturizadas. Consulte Anvisa e FDA para alertas atuais.

Posso fazer DIEP depois da radioterapia?

Sim, e o uso de tecido próprio é frequentemente considerado após radioterapia. Tecido vivo com boa circulação pode se adaptar melhor à área irradiada. Com implantes, os riscos de contratura e outras complicações aumentam. A equipa avalia se DIEP é uma boa opção de reconstrução diferida para si.

Texto de Dr. Mahyar Foumani, cirurgião plástico e reconstrutor com atuação em reconstrução mamária. Baseado no livro 'Breast Reconstruction Explained'.

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Informação para ajudar a entender as suas opções

Este artigo explica a reconstrução mamária de forma simples. A ideia é ajudar a conhecer as possibilidades e tomar decisões junto com o seu médico. O texto não substitui uma avaliação e uma orientação para o seu caso.

Cada pessoa tem uma história. A escolha depende do seu corpo, da doença, do tratamento e do que é importante para si. Siga as orientações do seu médico e da sua equipa de saúde. Se tiver sintomas ou dúvidas, procure a equipa ou um serviço de saúde. Em uma emergência, acione o serviço de emergência da sua região.

O Dr. Mahyar Foumani é cirurgião plástico nos Países Baixos. O perfil público no Hospital Martini indica o número neerlandês BIG 79913128001. O perfil da A Klinieken refere EBOPRAS Fellow e participação na associação neerlandesa NVPC.

Esta versão adapta o conteúdo original para português de Portugal. Uma data de revisão do original não significa que a adaptação tenha sido objeto de uma avaliação médica independente.

Fontes para consultar

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