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Implante mamário acima ou abaixo do músculo: como escolher?

12 de set.
7 min de leitura

Atualizado: há 3 horas

As duas posições são usadas na reconstrução mamária. O implante pode ficar à frente do músculo peitoral, na posição pré-peitoral, ou abaixo dele, na posição subpeitoral. Nenhuma é melhor em todos os casos. A escolha depende da qualidade da pele, do tamanho da mama, da radioterapia e das suas preferências.

Neste artigo

O que significam pré-peitoral e subpeitoral?

O tórax tem várias camadas: pele, gordura e o músculo peitoral maior, que fica sobre as costelas. Na mastectomia, o tecido da glândula mamária entre a gordura e o músculo é retirado. Nessa região é preparado o espaço para o implante.

  • Pré-peitoral: o implante fica à frente do músculo, sob a pele e a gordura. O músculo permanece no lugar.

  • Subpeitoral: a borda inferior do músculo é liberada e ele é levantado para cobrir o implante. A parte inferior do implante muitas vezes fica coberta apenas por pele ou por uma tela.

Como funciona a reconstrução com implante?

A reconstrução começa com a mastectomia. Hoje, muitas vezes é possível preservar a pele. Na mastectomia com preservação de pele, mantém-se esse revestimento externo da mama. Na cirurgia com preservação do mamilo, a aréola e o mamilo também ficam. Em alguns casos, bastam incisões pequenas, como na dobra inferior ou na lateral da mama.

Há dois caminhos. Quando há pele saudável suficiente, o implante definitivo pode ser colocado na mesma operação. Na reconstrução em duas etapas, primeiro entra um expansor, que recebe soro aos poucos durante semanas para criar espaço. Depois ele é trocado pelo implante. Os dois caminhos podem usar a posição à frente ou sob o músculo.

Implante à frente do músculo: vantagens e limites

Na reconstrução pré-peitoral, o músculo não é descolado. Entre as vantagens estão:

  • Como o músculo não é levantado nem distendido, muitas mulheres sentem menos dor no início.

  • A mama não acompanha a contração do músculo. Essa alteração de movimento, quando acontece, é chamada deformidade dinâmica.

  • A mama pode cair e se movimentar de forma mais natural, pois não fica presa ao músculo.

Por outro lado, a cobertura de tecido entre o implante e a pele é mais fina:

  • A borda do implante pode ficar visível ou fácil de sentir, principalmente em pessoas magras.

  • Podem aparecer ondulações na pele, chamadas rippling, causadas pelas dobras do implante.

  • A pele precisa ter espessura e circulação adequadas. Caso contrário, aumenta o risco de problemas na ferida.

  • Frequentemente se usa tela ou matriz dérmica acelular, chamada ADM, para apoiar o implante.

Bordas visíveis e ondulações muitas vezes podem melhorar depois com lipoenxertia, que coloca sua própria gordura sob a pele.

Implante sob o músculo: vantagens e limites

Na posição subpeitoral, o músculo funciona como uma camada extra sobre o implante. Durante muito tempo, essa foi a técnica mais usada.

  • Há mais tecido cobrindo o implante. As bordas e as ondulações tendem a aparecer menos.

  • Se houver dificuldade de cicatrização da pele, o músculo oferece proteção contra a exposição do implante.

As possíveis desvantagens incluem:

  • Ao contrair o músculo, a mama pode mudar de formato ou o implante pode subir. Essa deformidade dinâmica pode incomodar durante exercícios ou no dia a dia.

  • A distensão do músculo pode causar mais dor e aperto nas primeiras semanas.

  • O corpo forma uma cápsula ao redor de todo implante. Se ela endurecer e causar dor, há contratura capsular. Os especialistas ainda discutem quanto a posição do implante influencia esse risco.

Para que servem tela e matriz dérmica acelular?

A matriz dérmica acelular, ou ADM, é feita de pele humana doada ou de origem animal, preparada para remover as células. Já a tela é um material sintético fino. Seu próprio tecido vai se incorporando a esses materiais.

Na posição pré-peitoral, o material pode envolver todo o implante e reforçar a cobertura. Na posição subpeitoral, costuma ficar na parte inferior, onde o músculo não cobre o implante, formando uma espécie de suporte.

Esses materiais não são usados em todos os serviços. Alguns estudos encontraram mais seromas, que são acúmulos de líquido, ou infecções; outros não encontraram diferença. Pergunte se sua equipe usa tela ou ADM e por qual motivo.

Radioterapia e posição do implante

A radioterapia pode deixar a pele e os tecidos do tórax mais finos, firmes e com menos circulação. Isso aumenta o risco de problemas de cicatrização e contratura capsular nas duas posições.

Se a pele estiver fina após radioterapia, o músculo pode oferecer proteção extra. Se estiver em boas condições, a posição pré-peitoral pode ser considerada. Quando a radioterapia ainda vai acontecer, às vezes se usa primeiro um expansor, deixando o implante definitivo para depois.

Como a equipe escolhe a posição?

Não há uma regra única. A equipe conversa com você sobre as opções e avalia a circulação da pele durante a cirurgia. Alguns pontos importantes são:

  • Qualidade da pele: uma cobertura mais espessa e com boa circulação favorece a posição pré-peitoral. Pele fina ou irradiada pode favorecer a posição subpeitoral.

  • Constituição física: em pessoas muito magras, o implante à frente do músculo pode aparecer mais.

  • Radioterapia: ter feito ou precisar fazer radioterapia influencia a escolha e o momento da reconstrução.

  • Atividades e preferências: quem pratica muito esporte ou quer evitar o movimento da mama com a contração muscular pode preferir a posição pré-peitoral.

  • Experiência do serviço: pergunte quais técnicas a equipe realiza com frequência.

Como é a recuperação?

Nas duas cirurgias, a internação costuma durar alguns dias. Os drenos geralmente são retirados em uma a duas semanas. Nas primeiras semanas, siga os limites orientados pela equipe para levantar o braço e evite carregar peso.

Após reconstrução pré-peitoral, muitas mulheres relatam menos dor porque o músculo não foi distendido. Na subpeitoral, o aperto inicial costuma ser mais intenso e diminuir em algumas semanas. Esportes e levantamento de peso devem ser retomados com autorização da equipe, geralmente por volta de seis semanas.

É possível mudar a posição do implante?

Se o implante está sob o músculo e causa movimento incômodo da mama ou dor persistente, pode ser possível transferi-lo para a frente. O músculo volta para a parede do tórax e o novo implante fica à sua frente. A cobertura da pele frequentemente é reforçada com gordura própria ou matriz.

A mudança exige uma cirurgia com riscos próprios. Ela faz sentido quando os sintomas realmente afetam você. Em alguns casos, medidas menores, como lipoenxertia, também podem ajudar.

Alternativas com tecido próprio

O implante não é a única opção. A mama pode ser reconstruída com pele e gordura de outra região, geralmente da parte inferior do abdome, no retalho DIEP. Esse tecido costuma lidar melhor com a radioterapia e ter consistência macia. Em compensação, a operação é mais longa e a recuperação leva mais tempo.

Dúvidas frequentes

O que é reconstrução pré-peitoral?

É a colocação do implante à frente do músculo peitoral, sob a pele e a gordura. O músculo fica no lugar e sua contração não movimenta a mama. A técnica precisa de pele com boa circulação.

O que significa colocar o implante sob o músculo?

A borda inferior do músculo peitoral é liberada para que ele cubra o implante. Isso acrescenta tecido entre o implante e a pele. Em contrapartida, a mama pode se movimentar quando o músculo contrai.

Quem pode receber implante à frente do músculo?

Essa posição funciona melhor quando a pele após a mastectomia tem espessura e circulação suficientes. Com pele muito fina, a posição sob o músculo pode oferecer mais proteção. A equipe avalia isso durante a operação.

O que é reconstrução mamária com implante?

É a recriação do volume da mama com um implante de silicone ou preenchido com soro, sem retirar tecido de outra região do corpo. Ele pode ficar à frente ou sob o músculo.

O que é mastectomia com preservação de pele?

A glândula mamária é retirada, preservando o máximo possível da pele. Esse revestimento recebe um implante ou expansor na mesma operação, ajudando a manter o tamanho e o formato da mama.

A mastectomia pode ser feita por incisões pequenas?

Sim. Na cirurgia que preserva a pele ou o mamilo, às vezes bastam incisões na dobra inferior ou na lateral da mama. A possibilidade depende da localização do tumor e do tamanho da mama.

Posso fazer reconstrução com implante depois da radioterapia?

Pode ser possível, mas a pele irradiada costuma ter menos elasticidade e circulação. Isso aumenta os riscos de feridas e contratura capsular. A equipe ajuda você a avaliar a posição do implante e se tecido próprio seria uma alternativa mais adequada.

É possível levar um implante de baixo para a frente do músculo?

Sim, principalmente quando há movimento incômodo ou dor persistente. O músculo volta para o tórax e o implante passa para a frente. A cobertura pode precisar de reforço com gordura própria ou matriz.

Perguntas para levar ao cirurgião

  • Qual posição você recomenda para mim? Por quê?

  • Como você avalia a qualidade da pele após a mastectomia?

  • Vai usar tela ou ADM? O que isso muda para mim?

  • Como a radioterapia influenciaria a escolha?

  • O que pode ser feito se a posição me incomodar depois?

Texto de Dr. Mahyar Foumani, cirurgião plástico e reconstrutor com atuação em reconstrução mamária. Baseado no livro 'Breast Reconstruction Explained'.

Informação para ajudar você a entender suas opções

Este artigo explica a reconstrução mamária de forma simples. A ideia é ajudar você a conhecer as possibilidades e tomar decisões junto com seu médico. O texto não substitui uma avaliação e uma orientação para o seu caso.

Cada pessoa tem uma história. A escolha depende do seu corpo, da doença, do tratamento e do que é importante para você. Siga as orientações do seu médico e da sua equipe de saúde. Se tiver sintomas ou dúvidas, procure a equipe ou um serviço de saúde. Em uma emergência, acione o serviço de emergência da sua região.

O Dr. Mahyar Foumani atua como cirurgião plástico nos Países Baixos. Seu perfil público no hospital Martini informa o número profissional neerlandês BIG 79913128001. O perfil na A Klinieken informa EBOPRAS Fellow e participação na associação neerlandesa NVPC.

Esta versão foi reescrita em português do Brasil a partir do conteúdo original. Uma data de revisão do original não significa que esta versão passou por uma avaliação médica independente.

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