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Reconstrução total da mama com gordura: como funciona a lipoenxertia

1 de abr.
6 min de leitura

Atualizado: há 2 horas

Reconstruir a mama com tecido do próprio corpo, sem implante permanente nem uma grande cirurgia com retalho, é uma possibilidade para algumas pessoas após a mastectomia. A lipoenxertia, também chamada de enxerto de gordura ou lipofilling, retira gordura de outras regiões e forma o volume da mama aos poucos, em várias sessões. O resultado usa seus próprios tecidos e cortes pequenos. A indicação depende de uma avaliação cuidadosa; não há garantia de tamanho, aparência ou cicatrizes imperceptíveis.

O que é a reconstrução total da mama com lipoenxertia?

A técnica usa gordura retirada por lipoaspiração do abdômen, das coxas ou das laterais da cintura para reconstruir o volume da mama após a mastectomia. O enxerto de gordura já é usado há muito tempo para ajustar o formato de outras reconstruções. Em pessoas selecionadas, também pode fornecer todo o volume. São necessárias várias sessões, separadas por alguns meses, para acrescentar forma e volume dentro do que os tecidos permitem.

Como funciona o procedimento?

Três etapas se repetem em cada sessão:

Retirada: o cirurgião coleta gordura do abdômen, das coxas, das laterais da cintura ou das nádegas com cânulas e sucção suave. É semelhante a uma lipoaspiração de menor volume. A escolha das cânulas e da pressão busca reduzir o trauma e preservar as células de gordura.

Preparo: a gordura é separada do excesso de líquido, das células danificadas e de outros resíduos. Isso pode ser feito por centrifugação, lavagem ou filtragem. O cuidado no preparo busca melhorar as condições de sobrevivência do enxerto.

Enxerto: pequenas quantidades de gordura são distribuídas em vários pontos e camadas da mama. Cada porção precisa ficar perto de tecido que forneça sangue, até formar novos vasos. Essa distribuição evita grandes acúmulos de gordura e favorece sua integração.

Uma sessão costuma levar cerca de uma hora por mama, com alta no mesmo dia. O texto de referência descreve um percurso geralmente de 1 a 2 anos, com 3 a 5 procedimentos. Esses números são estimativas: o plano varia conforme o tamanho desejado, a resposta dos tecidos e a gordura disponível.

Expansão externa: BRAVA e EVE

Algumas equipes usam aparelhos de expansão externa, como BRAVA e EVE, para preparar a região antes da lipoenxertia. Eles aplicam sucção controlada para distender os tecidos e criar espaço. O protocolo descrito neste artigo envolve cerca de 10 horas de uso por dia, por aproximadamente duas semanas antes e depois de cada sessão. A preparação pode favorecer a circulação e a retenção do enxerto, mas os protocolos e as evidências variam. O aparelho exige dedicação e não é necessário em todos os casos.

Outra estratégia combina lipoenxertia com um expansor colocado dentro do corpo. Primeiro, o expansor ajuda a criar espaço e formato. Depois, seu volume é reduzido enquanto a gordura é acrescentada em várias sessões. Ao final, o dispositivo pode ser retirado, deixando o volume formado pelos enxertos.

Possíveis vantagens

A reconstrução usa sua própria gordura, que mantém características de tecido vivo e pode mudar com o peso e o envelhecimento. As sessões envolvem pequenos acessos para coleta e enxerto, sem retirar músculos como em algumas técnicas de retalho. A lipoaspiração também pode modificar o contorno das áreas doadoras. O formato é avaliado ao longo das etapas, permitindo ajustes. Ainda assim, são cirurgias e deixam cicatrizes, mesmo pequenas. Para quem não pode ou não deseja um retalho tradicional, essa pode ser uma alternativa a discutir com a equipe.

Limites e pontos a considerar

A quantidade de gordura que permanece varia. O texto de referência apresenta uma faixa de aproximadamente 40% a 70% do volume transferido; o restante é absorvido. Esse intervalo não prevê seu resultado individual e ajuda a explicar por que podem ser necessárias várias sessões. A expansão externa exige horas de uso diário e pode irritar a pele. A retirada pode alterar o contorno da área doadora, especialmente quando há pouca gordura. Cistos com óleo e pequenas calcificações também podem surgir e exigir exames para esclarecimento. Pessoas muito magras talvez não tenham gordura suficiente.

Como é a recuperação?

A recuperação de cada sessão costuma ser menor do que a de uma grande cirurgia com retalho, mas depende da extensão do procedimento. A alta geralmente ocorre no mesmo dia. Nas áreas de retirada, dor, manchas roxas e inchaço costumam melhorar em 1 a 3 semanas. A equipe pode indicar malha de compressão nessas regiões. O inchaço da mama pode levar de 3 a 6 semanas para diminuir. Atividades leves muitas vezes são retomadas em alguns dias, e parte da rotina em 1 a 2 semanas. A liberação para esforço deve seguir a orientação individual.

Para quem essa opção pode ser considerada?

A avaliação costuma ser mais favorável quando a mastectomia preservou pele ou mamilo, deixando uma cobertura que pode receber volume. É necessário ter gordura suficiente no abdômen, nas coxas ou nas laterais da cintura. A técnica pode interessar a quem prefere tecido do próprio corpo, sem implante permanente, e aceita várias sessões ao longo de 1 a 2 anos. Cirurgias anteriores, condições de saúde ou limitações nas áreas doadoras de retalhos podem fazer essa alternativa entrar na conversa, sem garantir que ela seja adequada.

Dúvidas frequentes

Quantas sessões são necessárias para reconstruir toda a mama?

O percurso descrito costuma envolver 3 a 5 sessões, com intervalos de 3 a 6 meses, ao longo de 1 a 2 anos. O número depende do volume desejado, da resposta dos tecidos e da gordura disponível. Peça uma estimativa para seu caso.

Quanto da gordura permanece após cada sessão?

A faixa citada é de cerca de 40% a 70%, mas há grande variação. Parte do volume é absorvida nas semanas e meses seguintes. A preparação dos tecidos, inclusive expansão externa em alguns protocolos, pode influenciar o resultado. Não é possível garantir uma taxa individual.

A lipoenxertia pode ser feita depois do câncer de mama?

As pesquisas disponíveis são tranquilizadoras para pacientes selecionadas após o tratamento. Os estudos observacionais citados na página detalhada do site não encontraram maior frequência de recidiva em grupos comparáveis. Algumas pessoas também percebem tecidos irradiados mais macios, mas isso não é uma promessa de regeneração. Converse com o oncologista e o cirurgião reconstrutor sobre seu histórico e o momento adequado.

O que é o BRAVA? Ele é obrigatório?

BRAVA e EVE são aparelhos externos que usam sucção controlada para preparar os tecidos. Não são obrigatórios em todos os planos. O protocolo apresentado neste artigo descreve cerca de 10 horas por dia, por duas semanas antes e depois da sessão. A equipe deve explicar o benefício esperado, os limites das evidências e se esse protocolo é adequado para você.

A lipoenxertia pode ser combinada com outras técnicas?

Sim. Em um plano combinado, um expansor cria espaço e seu volume é substituído gradualmente por gordura, até poder ser retirado. A lipoenxertia também é usada para ajustar o contorno depois de reconstrução com implante ou retalho.

Texto de Dr. Mahyar Foumani, cirurgião plástico e reconstrutor com atuação em reconstrução mamária. Baseado no livro 'Breast Reconstruction Explained'.

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Informação para ajudar você a entender suas opções

Este artigo explica a reconstrução mamária de forma simples. A ideia é ajudar você a conhecer as possibilidades e tomar decisões junto com seu médico. O texto não substitui uma avaliação e uma orientação para o seu caso.

Cada pessoa tem uma história. A escolha depende do seu corpo, da doença, do tratamento e do que é importante para você. Siga as orientações do seu médico e da sua equipe de saúde. Se tiver sintomas ou dúvidas, procure a equipe ou um serviço de saúde. Em uma emergência, acione o serviço de emergência da sua região.

O Dr. Mahyar Foumani atua como cirurgião plástico nos Países Baixos. Seu perfil público no hospital Martini informa o número profissional neerlandês BIG 79913128001. O perfil na A Klinieken informa EBOPRAS Fellow e participação na associação neerlandesa NVPC.

Esta versão foi reescrita em português do Brasil a partir do conteúdo original. Uma data de revisão do original não significa que esta versão passou por uma avaliação médica independente.

Fontes para consultar

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