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BRCA e mastectomia para reduzir risco: opções de reconstrução

13 de abr.
5 min de leitura

Atualizado: há 3 horas


Descobrir uma alteração patogênica em BRCA1 ou BRCA2 pode mudar muitos planos. O risco de câncer de mama ao longo da vida aumenta bastante; as estimativas citadas no conteúdo original chegam a cerca de 72% para BRCA1 e 69% para BRCA2. Para algumas mulheres, a mastectomia redutora de risco — retirada preventiva das duas mamas antes de surgir câncer — é uma opção. A decisão também envolve reconstrução, qualidade de vida e sentimentos. Entender cada parte ajuda a decidir com a equipe.

O que é uma alteração em BRCA?

BRCA1 e BRCA2 ajudam a reparar danos no DNA. Uma alteração patogênica, ou seja, que prejudica essa função, pode aumentar o risco de câncer de mama e ovário. O original apresenta faixas de risco mamário de 55% a 72% para BRCA1 e de 45% a 69% para BRCA2. Elas vêm de populações estudadas e não são uma previsão individual. A comparação frequente de cerca de uma em oito mulheres na população geral refere-se a dados internacionais, como os dos Estados Unidos, e não a uma estimativa específica para o Brasil.

História familiar importante de câncer de mama ou ovário, parente com alteração conhecida, diagnóstico mamário antes dos 50 anos ou câncer de mama em homem na família são motivos para avaliar aconselhamento genético. O teste pode usar sangue ou saliva. A indicação e a interpretação devem ser discutidas com profissionais capacitados.

Quando considerar a mastectomia redutora de risco?

Ela não é indicada para todas as pessoas. A decisão depende do risco confirmado, dos seus valores e do momento de vida. Pode ser discutida diante de variante patogênica em BRCA1 ou BRCA2, história familiar muito forte ou outros fatores de alto risco avaliados no aconselhamento genético.

A retirada preventiva das duas mamas pode reduzir o risco de câncer em cerca de 90% a 95% nas portadoras, sem eliminá-lo totalmente. Outras opções incluem acompanhamento mais próximo com ressonância e mamografia e, em situações indicadas, medicamentos como tamoxifeno. Converse com genética, oncologia e mastologia sobre os benefícios e limites de cada caminho.

Como tomar essa decisão

Uma cirurgia preventiva exige comparar risco estatístico, qualidade de vida, imagem corporal e preferências pessoais. Não existe uma resposta única.

Algumas mulheres desejam agir logo; outras precisam de meses ou anos para decidir. Idade, planos de ter filhos, preocupação com o câncer, experiências familiares, intimidade, trabalho e ajuda durante a recuperação entram nessa conversa. Você pode precisar de tempo.

Reconstrução após mastectomia preventiva

Quando não há câncer nem necessidade de radioterapia, costuma haver mais liberdade para planejar a reconstrução. Ela pode ser feita na mesma operação da mastectomia. Ainda assim, a indicação depende do seu corpo, da qualidade dos tecidos e das suas escolhas.

As principais possibilidades são:

Reconstrução com implante: frequentemente começa com expansor, depois trocado por implante de silicone ou soro. A operação inicial e a recuperação costumam ser menores. O expansor pode ser colocado na mastectomia e trocado meses depois.

Reconstrução com tecido próprio: usa tecido do abdome, como no DIEP, das costas, com grande dorsal, ou das coxas. O DIEP preserva os músculos abdominais e pode oferecer aspecto e consistência naturais. Sem radioterapia prevista, não há os efeitos desse tratamento sobre a reconstrução, mas isso não torna uma técnica obrigatoriamente melhor.

Preservar mamilo e aréola muitas vezes é possível no contexto preventivo, conforme a avaliação. Isso pode favorecer a aparência e a familiaridade com o corpo, embora a sensibilidade possa mudar.

O lado emocional

É possível sentir alívio por reduzir o risco e, ao mesmo tempo, tristeza pela perda de uma parte saudável do corpo. Estudos relatam satisfação e redução da ansiedade em muitas mulheres que escolheram a cirurgia. Isso não determina como você deve se sentir.

Imagem corporal, sensibilidade e intimidade podem exigir adaptação. Dificuldades nessas áreas não significam que a decisão foi errada. Apoio psicológico antes e depois pode ajudar, principalmente com profissionais que conhecem risco hereditário de câncer.

Conversar com outras pessoas que viveram a mesma situação também pode ajudar. A organização FORCE, citada no original, oferece recursos e apoio para famílias com risco hereditário, sobretudo em inglês. Peça à equipe opções de apoio acessíveis a você.

Recuperação: o que esperar

O tempo depende da reconstrução. Com implante, atividades leves podem voltar em duas a quatro semanas, enquanto os preenchimentos continuam. Com tecido próprio, a recuperação inicial pode exigir quatro a seis semanas, e atividades intensas oito a doze semanas ou mais. Algumas técnicas, como DIEP, podem precisar de prazos maiores. Siga a orientação específica da sua equipe.

Planejar ajuda: organize apoio em casa, afastamento do trabalho e expectativas realistas. A recuperação pode ser exigente e cada pessoa a vive de uma forma.

Dúvidas frequentes

Ter alteração em BRCA significa que terei câncer?

Não. Uma variante patogênica aumenta o risco, mas não prevê se ou quando o câncer vai surgir. As faixas de 55% a 72% para BRCA1 e 45% a 69% para BRCA2 citadas no original são estimativas populacionais. O aconselhamento genético ajuda a entender o seu risco e as opções.

Posso não reconstruir depois da cirurgia preventiva?

Sim. Escolher o tórax plano é uma opção válida. Você pode preferir evitar outras etapas cirúrgicas e usar ou não prótese externa. A decisão deve respeitar seu conforto e seus valores.

Como funciona a cobertura da cirurgia preventiva?

Indicação, acesso e cobertura precisam ser verificados no seu sistema de saúde e, quando houver, no plano. Uma cobertura descrita para outro país não garante o mesmo atendimento no Brasil. Peça à equipe e à operadora orientação sobre avaliação de risco, documentos e autorização antes de agendar.

Qual é a melhor reconstrução após cirurgia preventiva?

Não existe uma melhor para todas. Tecido próprio, como DIEP, pode oferecer aspecto natural. Implantes são outra opção, com recuperação inicial geralmente menor. A ausência de radioterapia amplia as possibilidades, mas a escolha depende do corpo, do plano cirúrgico e das suas preferências.

Também devo retirar ovários e trompas?

Alterações patogênicas em BRCA também aumentam o risco de câncer de ovário, especialmente em BRCA1. A retirada de ovários e trompas pode ser discutida após concluir os planos de ter filhos. A faixa de 35 a 45 anos apresentada no original varia conforme o gene e o caso; não é uma recomendação única. Converse com ginecologia e aconselhamento genético sobre momento, benefícios, menopausa e consequências para você.

Texto de Dr. Mahyar Foumani, cirurgião plástico e reconstrutor com atuação em reconstrução mamária. Baseado no livro 'Breast Reconstruction Explained'.

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Informação para ajudar você a entender suas opções

Este artigo explica a reconstrução mamária de forma simples. A ideia é ajudar você a conhecer as possibilidades e tomar decisões junto com seu médico. O texto não substitui uma avaliação e uma orientação para o seu caso.

Cada pessoa tem uma história. A escolha depende do seu corpo, da doença, do tratamento e do que é importante para você. Siga as orientações do seu médico e da sua equipe de saúde. Se tiver sintomas ou dúvidas, procure a equipe ou um serviço de saúde. Em uma emergência, acione o serviço de emergência da sua região.

O Dr. Mahyar Foumani atua como cirurgião plástico nos Países Baixos. Seu perfil público no hospital Martini informa o número profissional neerlandês BIG 79913128001. O perfil na A Klinieken informa EBOPRAS Fellow e participação na associação neerlandesa NVPC.

Esta versão foi reescrita em português do Brasil a partir do conteúdo original. Uma data de revisão do original não significa que esta versão passou por uma avaliação médica independente.

Fontes para consultar

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